out 14, 2011 - Médicos    29 Comments

Match governamental: CFM x ANVISA

 
 

Abundância, em medicina, é penúria. (Miguel Couto)

Em medicina, verdades de convenção temo-las quase sem conta. (Francisco de Castro)

Desengane-se o médico que jamais conseguirá chegar a providência do remédio onde leva a ambição da cura. (Francisco de Castro)

 

Não foi sem contestação interessada que a Resolução 52, da ANVISA, dispondo sobre a proibição do uso das substâncias anfepramona, femproporex e mazindol, e medidas de controle da prescrição e dispensação de medicamentos que contenham a substância sibutramina, veio a lume. Mal entrou em vigência, logo as reações contrárias de médicos, da indústria farmacêutica, de sociedades de especialistas e até, imaginem, do Conselho Federal de Medicina…

Esta foi a reação inicial da autarquia, em nota de 4/10/2011, publicada no seu portal: “O Conselho Federal de Medicina (CFM) define essa semana quais serão as medidas judiciais que adotará contra a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária de proibir a venda de algumas substâncias usadas no tratamento da obesidade. A entidade defende o uso dessas formulas como auxiliares no tratamento de pacientes e pede o fortalecimento de mecanismos de controle de seu uso”.

Depois, decidiu-se e ajuizou a ação contra a ANVISA, que assim noticiou: “O Conselho Federal de Medicina (CFM) deu entrada na Justiça Federal, na tarde desta quinta-feira (13), com Ação Civil Pública contra a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária de proibir a venda de algumas substâncias usadas no tratamento da obesidade (anfepramona, femproporex e mazindol).

Enfim posto um estranho round: Governo x Governo, isto é: Conselho Federal de Medicina (Autarquia) x Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Agência Reguladora), cujo resultado, seja ele qual for, não interessa à sociedade… Apenas demonstrará, com clareza, a urgente necessidade da instituição, através de lei, do controle externo do exercício da medicina. Os médicos, principalmente os mal apercebidos para o exercício da profissão, outrora e ainda hoje, pretenderam e desejaram uma irresponsabilidade absoluta (AFRÂNIO PEIXOTO). Se hoje se conformam com o princípio da responsabilidade, nunca admitiram a idéia de um controle externo de sua atuação prática, como o atesta a corporação normativa e julgadora da moral profissional, de origem sindical, eleita e dirigida em caráter honorifico pelo eles mesmos. Evidente que isto precisa ser mudado…

Abro os Temas de Medicina, na página 201, e me deparo com um juízo exemplar do eminente professor Carlos da Silva Lacaz: Anarquia Terapêutica! É possível que os contemporâneos não saibam de quem estou falando, por isto saibam agora: Dr. Carlos da Silva Lacaz era aquele a quem Dr. Adib Jatene tomava a benção todos os dias lá na “Casa do Arnaldo”: fora paraninfo da turma de 1953! É preciso dizer mais alguma coisa? Quanto à “Casa do Arnaldo”, se a não conhecem, paciência…

O antigo catedrático de Microbiologia e Imonologia daquela conceituada Faculdade diz, no seu artigo, que o Professor Almeida Prado (1889 – 1965), em 1952, reclamava que “não existia no mundo outro país em que o comércio de medicamentos medre mais viçosamente e mais sem peias do que aqui”. Porém o mestre guaratinguetaense não disse tudo acerca dessa praga, que é de antes. Já Francisco de Castro (1857 – 1901), aquele de quem Rui disse ser o único exemplo de um sábio num artista, combateu, com clareza e consciência, o charlatanismo das drogas da última revista que só curam quando ainda no cartaz dos reclamos.

Dr. Mário Rigatto (1928 – 2000), com aquela primorosa didática que o distinguia, escreveu, em 1976, o atualíssimo artigo Os Quatro Campos da Medicina na Virada do Milênio: Prevenção, Cura, “Calote” e Criação, que devia ser leitura obrigatória para médicos. O terceiro campo, o “calote” (drogas para emagrecer etc.), diz o mestre porto-alegrense, é o mais festejado e vaticinou: é provável que entre o próximo milênio em clima de prosperidade. Como se diz, no calão, “não deu outra”! A prosperidade da indústria farmacêutica é uma festa… Médicos de permeio, a colaborar com esse “calote” contra a saúde pública.

A ANVISA, no exercício de seu dever legal, embora tardiamente, decidiu proibir a fabricação, importação, exportação, distribuição, manipulação, prescrição, dispensação, o aviamento, comércio e uso de medicamentos ou fórmulas medicamentosas que contenham as substâncias anfepramona, femproporex e mazindol, por entender que essas substâncias, para além de não serem eficazes para o tratamento da obesidade, causam danos irreparáveis à saúde de quem as toma.

Não tenho nenhuma pretensão de ministrar, nestas linhas, uma lição de farmacologia e muito menos dissertar sobre a fisiopatologia da obesidade. Interessa-me apenas fazer uma crítica ao comportamento antinômico desses órgãos governamentais que não se entendem em prol da saúde pública, notadamente quando nas suas órbitas gravita interesse cuja natureza o médico prudente desconhece.  O CFM (Autarquia da República) litiga contra a ANVISA (Agência da República), que será defendida pela AGU (Advocacia da República). A República decai, porque seus homens vêem se alheando do princípio das instituições, numa demonstração inequívoca de que o amor próprio estar a serviço da ostentação e não do interesse social.

Sabe-se que o Brasil, no mundo, é o terceiro maior consumidor dessas drogas; que o comércio delas envolve a estupenda cifra de 350 milhões de reais por ano, importando num consumo de 5 toneladas de anorexígenos. Aí está uma pista: o capital. Não sou contra nem a favor dele, apenas acho que o capital deve ser colocado no seu divido lugar, de uma entidade amoral. Li há alguns anos um artigo da revista Circulation, que fazia uma análise sobre a rearrumação dos capitais que eram aplicados no parque industrial da guerra-fria, quando esta entrou em derrocada, com a Perestroika e unificação da Alemanha. Essa dinheirama saiu à procura de usura em outros parques industriais, e viu, no que explora a assistência à saúde (aparelhos, instrumentos, medicamentos etc.), um próspero campo onde plantar suas raízes. Em 33 anos de exercício da medicina, tendo tomado há muito tempo a decisão de não receber os representantes desse capital, recusando-me em prescrever esses tóxicos, sou testemunha da cooptação da medicina pela indústria farmacêutica, que vem sabendo tirar, com máxima eficiência, o proveito disso…

O mercado das drogas novas não dá tréguas…  Acrescenta-se um radilzinho à molécula-base e aí está a nova droga, que faz o mesmo efeito da que lhe originou, a contar com a classe médica para lhe fazer a propaganda, impondo-a ao paciente. Brindes, cartões de descontos, financiamento de congressos, de viagens etc.: eis o estipêndio desse marketing disfarçado!

Não há nisto benevolência, aliás, não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro e do padeiro que esperamos nosso jantar, mas da atenção que eles dão a seus próprios interesses. Nós não nos dirigimos à humanidade deles, mas a seu egoísmo; e não é nunca das nossas necessidades que lhes falamos, é sempre do benefício deles (ADAM SMITH). Se a hipertensão pode ser controlada com um medicamento barato por que prescrever o da moda, sempre mais caro? Se pode a doença ser tratada com um medicamento genérico, por que prescrever um de marca?  A resposta não a encontrará Nas Bases Farmacológicas da Terapêutica (Goodman & Gilman), talvez nA Riqueza das Nações…

Consulto as bulas das substâncias impugnadas (bulas porque é a informação que os pacientes dispõem) e me deparo (ipsis litteris) com os efeitos colaterais que essas elas podem causar ao organismo humano:

Anfepramona: Palpitações, taquicardia, elevação da pressão sanguínea, dor precordial, arritmia; superestimulação, nervosismo, excitação, tontura, insônia, angustia, euforia, depressão, tremor, cefaléia, surtos psicóticos, indução de convulsões em epilépticos, secura na boca, paladar desagradável, náuseas, vomito, desconforto abdominal, diarréia, constipação, alergias, urticária, erupção de pele, equimose, eritema, impotência, distúrbio da libido, irregularidade menstrual, depressão da medula óssea, agranulocitose, leucopenia, queda de cabelos, dispnéia, dor muscular, disúria e polaciúria. Femproporex: Vertigem, tremor, irritabilidade, reflexos hiperativos, fraqueza, tensão, insônia, confusão, ansiedade e dor de cabeça; calafrios, palidez, rubor das faces, palpitações, arritmia cardíaca, angina, hipertensão ou hipotensão e colapso circulatório; boca seca, gosto metálico, náuseas, vômito, diarréia, câimbras abdominais; alteração da libido; dependência psíquica e tolerância. Mazindol: Confusão ou depressão mental; erupções cutâneas ou urticária; secura na boca; nervosismo ou inquietude, insônia; diarréia, náuseas, cãibras abdominais, paladar desagradável; sonolência; cefaléia; visão borrada; alteração da libido, impotência sexual, disúria, polaciúria; cansaço e astenia.

Isto me levou imediatamente àquele rifão sobre os médicos, que não gostamos de ouvir: são figuras estranhas que prescrevem drogas que pouco conhecem, para tratar doenças que conhecem menos ainda, a pessoa que desconhece totalmente (VOLTAIRE).  Parece-me uma imprudência governamental, que beira o limite da prevaricação, a permissão do comércio e da prescrição de tais substâncias. Não há especialista que me seja capaz de convencer do contrário. Mas não é só isto, há mais: a manipulação dessas substâncias em formulas que as associam a outras também nocivas, cujo grau interação prejudicial ninguém poderá dizê-lo. Em matéria de terapêutica parece que desaprendemos aquela clássica lição ministrada por Rober Burns: “os melhores esquemas tanto para os camundongos quanto para os humanos são os mais simples”.

Não cometeria o dislate de transcrever uma dessas fórmulas, que são prescritas por médicos, para serem aviadas nessas farmácias de manipulação que há por aí, para não me constranger a mim mesmo… Sei de uma bela mulher que emagreceu pela intoxicação que lhe causou a fórmula. Já viram, por acaso, um usuário de crack gordo?

Não dissertarei, reitero, sobre a obesidade, mas não vejo nenhuma necessidade de tratá-la agredindo de forma tão estúpida o organismo que já sofre suas conseqüências, porque há outros meios. Meu objetivo é apenas dizer-lhe, caro leitor, que concordo com a decisão da ANVISA, que deve prosseguir com essa desintoxicação da nossa farmacopéia a bem da saúde pública, embora contrariando interesses capitalistas; como concordo com a instituição do controle externo do exercício da medicina. Nenhuma profissão, notadamente as que dizem respeito à saúde, que é o bem mais preciso que o indivíduo possui, para além da própria vida, porque esta sem saúde não vale à pena vivê-la, não deve ser controlada por si mesma, neste mudo onde a deontologia foi assaltada e estuprada pelo utilitarismo sem limites.

 

Fernando Guedes

14/10/2011

29 Comments

  • Nosso “objetivo é apenas dizer-lhe, caro leitor, que concordo com a decisão da ANVISA, que deve prosseguir com essa desintoxicação da nossa farmacopéia a bem da saúde pública, embora contrariando interesses capitalistas; como concordo com a instituição do controle externo do exercício da medicina. Nenhuma profissão, notadamente as que dizem respeito à saúde, que é o bem mais preciso que o indivíduo possui, para além da própria vida, porque esta sem saúde não vale à pena vivê-la, não deve ser controlada por si mesma, neste mudo onde a deontologia foi assaltada e estuprada pelo utilitarismo sem limites.”

    • Fernando, tenho apenas que aplaudir o exercício da ética, a ótica pela qual é abordada a caótica a situação política da saúde institucional, neste seu artigo.

  • Fernando, numa fase da minha vida, fiz uso desse tipo de remédio, e os efeitos colaterais realmente foram terríveis, tanto que, por minha própria vontade, comuniquei ao médico que não tomaria as “santas” pílulas. Consegui o mesmo resultado, só que com saúde, e consciência de que uma reeducação alimentar, é o caminho para se alcançar o peso ideal. Por ter sentido na pele os malefícios de tal remédio, faço minhas as suas palavras, e apoio a ANVISA totalmente. Só espero que o capitalismo e a ganância dos grandes laboratórios, e dos maus profissionais da Saúde, não ganhem este embate.

  • Oi Fernando
    Esperamos , bem como , confiamos , com a fé em O GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO, e êle há de nos protejer contra os ( como bem o disse a nossa Ministra ELIANA CALMON ) manginas travestidos de juizes togados . É realmente , inaceitável que o nosso Conselho maior estêja à favor e defender os interesses de organizações criminosas .
    Há alguns anos , havia uma farmácia de manipulação sito `rua D . João iV em no Bairro de Brortas ,e dentro da qual um colega se dispunha à ” fornecer receitas “, onde continha a TERRÍVEL droga .
    Conclusão : a farmácia que se chamava ” MÃE NATUREZA ” foi fechada anos depois , e ninguém tem notícia de alguém que tenha sido punido
    ISSO É BRASIL , e sem maiores cometários
    Abraços
    Calmito

  • Dr Fenando apesar de discordar em parte de sua dissertação, pois sou médico militante e aprendi no exercício do meu ofício que a teoria e a prática andam juntas, e cabe ao profissional hipocrático lutar com sua experiência contra a doença que seu paciente apresenta, venho através deste, demonstrar o meu repúdio contra a Anvisa no tocante a proibição dos anorexígenos e a liberação da sibutramina com restrições, que ferem sobremaneira o exercício de minha profissão. Faço suas minhas palavras no tocante ao cuidado que temos que ter ao ministrar qualquer tipo de droga farmacológica, quer seja em sua posologia, contra-indicações e efeitos colaterais. Por isto devemos estar sempre vigilantes com os nossos pacientes e sempre cautelosos diante das estatísticas e estudos científicos, quase sempre produzidos, creio até em totalidade por está poderosa indústria farmacêutica.
    A Anvisa fez a sua parte, conseguiu manipular a classe médica inicialmente ameaçando o registro da sibutramina, promovendo um grande teatro sobre o tema em Fórum público, Câmera de debutados, Senado Federal, sempre adiando de forma ardilosa sua tomada de decisão que finalmente aconteceu em outubro do presente ano, de forma contrária a reunião de 12/10 quando sua Câmera técnica havia decido – a) suspender o registro da sibutramina, b) suspender o registro dos anorexígenos, em razão do risco do aumento de seu consumo face a suspender o anterior.
    Creio que suas considerações contra a postura do Conselho Federal de Medicina e de diversas Entidades Medicas estão corretas e passíveis de louvor, procurar o Poder Judiciário é inútil e humilhante, pois estamos obrigados a aceitar a determinação de um órgão regulador, presidido por um farmacêutico.
    Mas mais uma vez sua dissertação aclara minha mente para uma saída honrosa, para nossa profissão, dizer não a sibutramina como resposta a Anvisa e a industria farmacêutica. Vamos deixar a sibutramina apodrecer pois sem nosso carimbo e assinatura era também não poderá ser comercializada

  • DR Fernando, desculpe novamente importuna-lo, mas esta matéria é de vital interesse para a classe médica e milhões de brasileiros portadores de um problema epidêmico. A mais de 20 anos luto contra está doença e esta proibição poderá influenciar de maneira desastrosa os obesos existentes e os que ainda estão por vir.
    Inicialmente peço desculpas pelo desabafo anterior, fruto da indignação quanto a Anvisa autarquia subordinada ao Ministério da Saúde, que me parece extrapolar seus limites de atuação assumindo matéria que a ela não somente diz respeito e impondo restrições ao mundo civilizado dignas de um regime autoritário, totalitário e porque não dizer soberano.
    A matéria anorexígenos é bastante complexa e de difícil tomada de decisão, nela está contida a Constituição, O Código Civil, O Código penal e diversas garantias do ser humano.
    Dr Fernando, vamos deixar em parte a mídia, depoimentos de cunho sensacionalísticos que visam sobremaneira a noticia, vamos passar nosso dialogo para o cerne da legalidade e a importância da saúde.
    A OBESIDADE é uma enfermidade multifatorial possuindo por isto diversos fatores em sua gênese sendo um deles até hoje imbatível, o hereditário a tendência ao ganho de peso aparece mais cedo ou mais tarde para determinados indivíduos, sendo o ganho de peso seu principal sintoma.
    Os tratamentos disponíveis, no âmbito clínico e cirúrgico visam combater o excesso de peso em razão do dano que o mesmo pode proporcionar por si só ou no desenvolvimento precoce de outras comorbidades hereditárias e/ou associadas.
    As substâncias ora retiradas do arsenal terapêutico são eficazes para muitos casos, quando prescritas de forma criteriosa, através de rigoroso acompanhamento médico , elas auxiliam em parte mudanças nos hábitos alimentares fator primordial no combate ao sintoma.
    É falácia sua não contribuição e existem diversos estudos científicos, nunca citados, que comprovam sua eficácia. Nestes estudos, cabe ressaltar que existe doses terapêuticas para cada uma delas e um tempo máximo para sua aplicação.
    Ao retira-las do mercado a Anvisa, dificulta sobremaneira minha atuação profissional, deixando sobre minhas costas a responsabilidade de procurar na farmacologia substâncias substitutas, tornando impossível qualquer tipo de prescrição, da minha parte, afinal sou médico não cientista.
    Diga-se ainda como agravante a esta proibição que as mesmas encontram-se legalmente autorizadas pela própria Anvisa e o prazo de validade concedido para seu uso ainda não encontra-se vencido.

  • Dr Fernando, creio que ainda vamos muito conversar e talvez quem sabe ainda nos conhecer, atualmente sua figura e seu comprometimento com a ordem social são minhas únicas esperanças

  • Dr Fernando, enquanto aguardo moderação sobre meu último comentário, gostaria de conhecer sua opinião a respeito do silêncio do Ministro da Saúde.

    • Marcelo,

      Os brasileiros temos pouca experiência com Agência Reguladora, que é a ANVISA. O Ministério da Saúde fala através da ANVISA, e está em acordo com ela, porque na estrutura da Administração Pública Federal, essa Agência está vinculada ao Ministério da Saúde, sendo que este relacionamento é regulado por Contrato de Gestão. Parece-me que os médicos precisam conviver com essa realidade. A decisão não foi tomada precipitadamente; houve comemorativos, houve discussão, e enfim a proibição, dentro da competência legal da ANVISA. Já declarei a minha insuficiência científica para opinar acerca da conveniência da manutenção, no mercado, das drogas impugnadas. O que posso afirmar, com os meus parcos conhecimentos, é que a obesidade é o resultado de um balanço positivo, onde o gasto é superado pela economia. Conta Montaigne que havendo Pamponius Aticus resolvido matar-se pala abstinência, pela fome, por não lograr remédio a seus males, curou-se deles com esse remédio. A dieta é uma terapêutica e uma higiene. A reeducação alimentar, creio, devia sera regra. Pode ser difícil, sei, mas é exequível.

  • Dr Fernando, em primeiro lugar gostaria de agradecer sua coragem na publicação de meu segundo comentário, em segundo lugar dizer que sempre alerto meus pacientes sobre a mudança de seus hábitos alimentares e que esta mudança deva se fazer de forma gradual para que os novos hábitos se instalem de forma definitiva, e que os medicamentos constituem apenas uma ajuda no intuito desta finalidade.
    A premissa da energética alimentar com certeza é fundamental no excesso de peso, sendo o balanço positivo um grande sua causa principal porém não a única.
    Nesta patologia epidêmica ainda existe algo que como médico ainda não encontrei solução, a tendência para o excesso de peso que muitos indivíduos possuem.
    Nas minhas reflexões pessoais também existem algumas restrições no que diz respeito a indústria alimentícia e ao ato do comer. No mundo moderno a alimentação tão importante no funcionamento do organismo foi deslocada do plano da necessidade para o plano social.
    O problema fundamental desta proibição da Anvisa é que a mesma não leva em consideração que estas substâncias necessitam de desmame, retirada gradativa e o prazo dado para sua entrada em vigor é abrupto e com certeza irá agravar o estado de saúde de muitos obesos em tratamento.
    Concordo com esta agência quanto ao fato do uso indiscriminado destas substâncias deva ser combatido e com a realidade de que muitos colegas não hipocráticos as utilizam de forma abusiva, discordo desta agência que diante da sua incompetência de normatização e fiscalização resolveu proibir.
    Com relação ao contrato de gestão e a lei 9782/99 vamos dialogar mais tarde.
    Dr Fernando, os guardiões da ordem social estão em todos os lugares eles constituem minha única esperança

    • Dr. Marcelo,

      Saiba que, mesmo discordando, aqui e ali, é que logramos o aperfeiçoamento… Voltaire dizia que os médicos somos pessoas estranhas que prescrevem drogas que pouco conhecem para tratar doenças que conhecem menso ainda a pessoas que desconhecem totalmente. Como desconhecemos os nossos pacientes! Saiba, colega, que eu tenho sido mais médico desde que passei a conversar e conhecer melhor os meus paciente. O notável Aloísio de Castro, filho do mais bem preparado médico que o Brasil produziu, Francisco de Castro, que seus discípulos cognominou de Divino Mestre, que Rui disse ser o único exemplo que conhecia de um sábio num artista, disse: muitas vezes a palavra do médico é a melhor terapêutica. Talvez, quando formos capazes de de substituir drogas por palavras, sejamos realmente médicos!

      Abraço-o.

      Fernando

  • Dr Fernando, se sua última frase já fosse verdade talvez eu não estivesse tão preocupado com está decisão Anvisa.
    Mas parece que a resolução não tem volta, a Justiça Federal inclusive indeferiu a liminar proposta pelo Conselho Federal de Medicina na ação proposta contra a Anvisa.
    O mérito creio sera julgado só Deus sabe, mas tenho certeza que ultrapassara o prazo de sessenta dias.
    Faz-se portanto que alguma medida seja tomada no intuito de minorar os efeitos desastrosos que a interrupção abrupta dessas substancias vai acarretar nos obesos em tratamento.
    É necessário um alerta iminente a sociedade como um todo – aos obesos que não iniciem tratamento com estas substâncias – aos médicos que iniciem a retirada gradativa dos medicamentos.
    Se pelo menos isto não ocorrer a obesidade de epidemia transformara-se em pandemia

  • Dr Fernando, o qual a sua opinião sobre o poder de regulamentar, normatizar e fiscalizar estar concentrado em apenas uma autarquia, que em 10 anos de sua criação é responsável por 40% do PIB nacional.
    Obrigado, pela rapidez em meu último comentário, medidas urgentes necessitam ser tomadas para minorar os efeitos desta decisão. O mercado negro também é preocupante e sobre ele a Anvisa não tem controle

    • Dr. Marcelo,

      Acho o sistema de Agências Reguladores importante para defesa do interesse da sociedade, mas, aqui, entre nós, vejo que elas são cooptadas por outros interesses, que terminam limitando sua autonomia. A ANAC, por exemplo, até hoje não foi capaz de obrigar as empresas aéreas a aumentarem o espeço entre as poltronas das aeronaves, que é um absurdo, nas linhas domésticas. O abuso das empreses de telefonia e de luz não são coibidos pelas respectivas agências reguladoras. O mesmo deve ocorrer com a ANVISA, o que, entretanto, não invalida-me a convicção de que essas drogas jamais deviam figurar na farmacopeia de uma nação civilizada, que se importa com a saúde de seus cidadãos.

      Abs.

      Fernando

  • Dr Fernando, creio que finalmente descobri o motivo para a proibição dos anorexígenos e a liberação da sibutramina. A comercialização dos primeiros através das farmácias de manipulação ultrapassa em muito os números da indústria farmacêutica, creio que a decisão tem muito a ver com está queda de braço, acredite a Pasta é Grande.
    Recentes pesquisas, via internet apontam que 75% dos brasileiros discordam da decisão Anvisa.
    Creio tratar-se inclusive de caso de referendum popular
    Um abraço
    Marcelo

    • Dr. Marcelo,

      Eu não tenho argumentos para opinar sobre as intenções ocultas nos meandros desse embrulho… Sei, por senti-lo, que há interesses, apenas isto. A minha intenção foi a de demonstrar uma convicção: Ao Conselho Federal de Medicina não compete, limitado que está por lei, de interferir em assunto dessa natureza.

      Abs.

      Fernando

  • Dr Fernando,
    Embrulho, é uma situação embaraçosa, é um artifício usado para enganar, algo envolvido com proteção ou ocultação de conteúdo; que há interesses; somente isto creio seja necessário, para abertura de um processo investigativo com intuito de apurar a veracidade. Ainda mais advinda de órgão que visa a proteção da saúde pública.
    Em Direito Penal se um fato fornece indícios, o cabe abertura de inquérito para devidas apurações, e se tal fato for confirmado a lei pune com rigor principalmente no Direito Administrativo.
    Existem cifras de aproximadamente 400 milhões de reais anuais em jogo
    Mais creio que a Justiça Federal não ponderou sobre este fato, quando indeferiu liminar.
    Não desejo julgar sua convicção sobre estes medicamentos, minha experiência é outra, e nossas opiniões desprovidas de interesses não irão contribuir para a data de entrada em vigor da resolução.
    Se a matéria é polêmica e existe indícios que foi manipulada algo necessita ser feito para embasamento legal do fato. Minha postura quanto a necessidade de referendum continua mantida.
    Acho que iniciamos uma amizade, coisa muito difícil no momento atual da sociedade.
    Um grande abraço
    Marcelo

  • Dr, Fernando meus comentários são dos que não possuem vaidades do que recebe financeiramente, mas que orgulhoso do meu comportamento com os pacientes que me procuram, sempre os trato com carinho, informando-lhes de todos os fatos e prazos de validade para serem consumidos e essa indústria já os manda recolher antes do prazo vencido. Vai as farmácias legalizadas e as recolhem dizendo que a Anvisa assim determina.
    E os coitados as entrega sem qualquer alegação.
    Até onde irá este poder ?
    Algumas vezes entrego meu pensamento ao teatro do acontecimentos, dignos dos grandes mestres, daqueles que investidos do poder, acham que a impunidade é para eles soberba e não vergonha. Coitadas das Farmácias de manipulação, creio até que muitas iram falir em razão desta resolução e do capital investido para se adequarem as R.D.C (s), Anvisa.
    Enquanto isso a industria viram banquetes. Pós um ano, com ou sem a revalidação a sibutramina, surgirá uma nova droga e o papo será outro; jantares, apresentação de trabalhos científicos criteriosos ?, brindes e outros mimos para alguns médicos presentes, com potencial para bons vendedores desta nova substância deste novo medicamento.
    Algumas poucas vezes compareci a estes banquetes de forma discreta e muito reservada. Inicialmente por instinto analisava a estrutura química da nova substância para os grandes efeitos benéficos e pouco maléficos que ela poderia produzir e dizia para mim mesmo, vou esperar que primeiro a prescrição dos outros e analisar as respostas dos pacientes que me procuram do seu uso.
    Sempre perguntei, sempre esperei por um tempo o mercado e quando houver quebra de patente vou decidir.
    Diga-se de passagem que para o consumidor final a nova droga custaria 3, 4 até 5 vezes mais por causa de um radicalzinho ou uma leve remodelação da antiga estrutura química da droga primitiva.
    As Agências Reguladoras viram nisso um grande filão pois a elas compete normatizar, regulamentar e fiscalizar o seu uso. E o cancelamento de substâncias concorrentes o quanto valeria.
    Não da para acreditar mais é verdade .

    Meu abraco
    Marcelo

  • Dr Fernando, em 1951, no discurso de posse a presidente dos EUA, alertou ao mundo sobre o chamado – complexo – que adquiriu imenso poder político e econômico, a ponto de influenciar decisões substanciais da vida da nação, lidando com a saúde, influindo em decisões substanciais da sua vida e visando primordialmente, o lucro sem se importar com as consequências
    Esta é para pensar muito, porque a imprensa não mais noticia ?, afinal a decisão sobre a proibição dos anorexígenos a muitos interessa, vende matéria.
    As vezes reflito, o silencio consente.
    Mas a rede Dr Fernando, não para, e ela parece que não aquiesceu a resolução, e o que estamos vendo são que opiniões contrárias aparecem não só do C.F.M. ; do C.F.F mas também de outros segmentos que não conectados com estruturas químicas, radicais imidazólicos, remodelação molecular, mas estão conectados na possibilidade do seu uso, nas suas contra indicações, nos seus efeitos colaterais, quem as ministra o que eu chamo de segmentos sentidos.

    Dr, Fernando sábias são as resoluções acatadas por todos, infelizes as que não são.

    CABE REFERENDUM

    Um grande abraço, amigo
    Marcelo

  • Faço minhas as palavras de Dr. Marcelo Ferreira de Castro , E apoio incondicionalmente sua atitude contra a proibição da sibutramina e anorexígenos .

  • Na maioria das vezes, deixam os homens os mais importantes assuntos entregues á prudência do momento, ou ao discernimento daqueles cujo interesse é opor-se as leis mais oportunas, as quais, por natureza, tornam universais os seus benefícios e resistem aquela inclinação pela qual tendem a aplicar-se a poucos, colocando separados de uma parte os cumulados de poder e felicidade, e, de outra, todos os fracos e miseráveis; por isso, somente depois de terem passado por mil erros nas coisas mais essenciais á vida e a liberdade, persuadem-se em remediar as desordens que os oprimem e a reconhecer as verdades mas palpáveis que, precisam por sua simplicidade, passam despercebidas as mentes vulgares não habituadas a analisar os objetos, mas a receber deles as impressões diretas, mas por tradição que por exame.
    Não se pode esperar da política moral qualquer vantagem duradoura, se ela não for fundada sobre sentimentos indeléveis do homem. Qualquer lei que se afaste deles encontrará sempre uma resistência contrária que, no final, ainda que mínima, se aplicada continuamente, vence qualquer movimento violento comunicado a um corpo.

  • Dr. Marcelo,

    Becaria, Eisenhower, Maçonaria… Dá o que falar! O milanês tirou o Direito Penal das trevas da vingança; o grande militar, na guerra, substituiu a lógica do número pela logística inteligente, quase uma diplomacia, que foi o êxito do desembarque na Normandia. A Maçonaria, aqui no Brasil, infelizmente, está cooptada por ignorantes… Há um livro intitulado Simbólica Maçônica, de Jules Boucher, editado pela Pensamento, que lhe pode esclarecer muita coisa.
    Quantos aos anorexígenos continuaremos nos divergindo, porque estou convencido que eles fazem mais prejudiciais que benéficos à saúde de quem os toma. Limito-me a esta crença, porque já me declarei incapaz para ir além disso. Assim como tenha convicção de que a ANVISA cumpriu seu papel, e que o CFM, cuja competência é de outra ordem, não deve se meter onde lhe não cabe. Lembre-se que o CFM será a última instância de julgamento em qualquer processo ético que velha surgir dessa polêmica. Que julga deve estra isento e distante dos interesses que envolvem as partes litigantes, para julgar com isenção e justiça.

  • Dr Fernando, medidas terapêuticas são usualmente instituídas durante a intensificação dos sintomas. O sucesso de muitas terapias e de vários terapeutas, provém, em parte de pretensas medidas curativas nessa fase. Mesmo doenças de curso variado tem evolução favorável atribuída a tratamentos, pois poucos indivíduos deixam de fazer uso de automedicação ou de requerer auxílio de um terapeuta que se apressa a escrever.
    A arte do terapeuta – o terapeuta tem como característica a capacidade do convencimento, propriedade importante no uso de sua arte. O ato artístico, originário da experiência pessoal e subjetiva de seu executante, é capaz de gerar repercussões empáticas noutros indivíduos. O ato terapêutico eficiente também é artístico, considerando-se que gera gratificação em quem a ele se submete e, simultaneamente, o avalia.O ato terapêutico da criatividade do executor, é individualizado, empático, mutável e adaptável a cada nova situação.
    Reconhecidos por diferentes nomes, terapeutas constituíram-se em profissionais presentes em todas as sociedades. Atualmente médicos e outros profissionais da saúde são legalmente investidos nessa condição.
    Parte dos resultados do ato terapêutico decorre de ações que traduzem a responsabilidade do profissional pelo sofrimento do paciente.
    Repasse de atenção, segurança, conforto e explicações lógicas se soma a medida terapêutica, podendo, até independentemente dela, ser determinante de eficácia. Esses efeitos são percebidos como indicadores do poder do terapeuta, aumentando a eficiência de seu ato.
    O efeito intrínseco da maioria dos atos terapêuticos só se identifica pelo emprego de comparações de tratamentos.
    A quantificação de efeitos intrínseco de medicamentos é feita por métodos farmacológicos e farmacológico-clínico.
    Em alguns casos, pode haver um passo intermediário entre a avaliação de efeitos farmacológicos, e da eficácia farmacológico-clinica final. Esta somente se aplica à reversão ou prevenção da condição que ameaça o paciente, o chamado desfecho ( resultado ). Pode-se aferir um efeito intermediário ou substituto. Assim a redução da pressão arterial é o desfecho intermediário de efeitos sobre a morbilidade, desfecho primordial do tratamento anti-hipertensivo.
    DR Fernando não que discuti com o Senhor a necessidade ou não destas drogas psicoativas que são os anorexígenos, elas foram muito castigadas, marginalizadas em nossa sociedade. Não desejo mudar o seu convencimento da relação prejuízo/benefício que elas produzem em quem a elas se socorre. O direito a escolha do terapeuta e dos métodos e medicamentos que utiliza é um direito do paciente.
    O que desejo arguir que a Anvisa não poderia desconsiderar a opinião de renomados especialistas, do C.F.M, do C.F.F, de matéria que não tem conhecimento, apenas competência. Dr Fernando, me desculpe mas a Anvisa não cumpriu o seu papel fundamental, que é a proteção da saúde coletiva. Apenas determinou atitudes que o terapeuta pode ou não tomar e pode ou não decidir em favor de seu paciente.
    Lamento o resultado da decisão, que não foi unanime, lamento que tenha sido tomada a portas fechadas por pessoas no mínimo incapazes para tal, lamento que ao cumprir o seu papel, seus poderes não sejam revistos pelo Governo e pela sociedade. Conheço dos poderes de meu Conselho, sua integridade e ética no julgamento de médicos que se desviam em sua conduta.
    Não creio que houve julgamento sem interesses, os adiamentos sucessivos são bastante duvidosos. Sua mudança de posição perante a sibutramina, fornece indícios de manipulação.
    A respeito da Maçonaria aqui no Brasil seus comentários me fazem entristecer, pensava diferente, atribuía a ela pensamentos poéticos, de alguns homens doutos, de outros dignos e de todos uma integridade inabalável.
    Creia amigo, suas impressões começaram aos poucos a mudar e os maçons mostraram em breve sua força.

    • Dr. Marcelo,

      Creio que há especialistas de ambos os lados. Do lado dos que são favoráveis ao comércio dessas substâncias e do lado dos que são favoráveis à proibição delas. Respeitáveis todos, cujas opiniões dever ser respeitadas, quando não desposadas. O problema é de procedimento. Não seis se a ANVISA agiu ou não com isenção, sei que agiu dentro da sua competência legal, que nesse particular não tem o CFM. Alias, ele vem, por sua conta próprias, se imiscuindo em atividades classistas, que não terminará bem. Será, mais ou ou mais tarde, chamado à responsabilidade, não tenho dúvida. Chega-se ao absurdo de convocar médicos para para atendimento. Depois, quando surgir o conflito deontológico, como pode ele julgar com isenção?! CFM e CRMs são, em conjunto, uma autarquia não da Classe, mas do Estado. Essa Autarquia fala em nome do Estado e não da Classe. Se o Estado, através de sua Agência Reguladora, proibiu, como pode o mesmo Estado , através do CFM, ser contrário à proibição? É uma antinomia em desfavor da sociedade. Pode ser contra, se o quiser, a AMB, o SINDMED, a Sociedade de Especialista, o médico etc., o CFM não, porque seu dever é o da fiscalização do exercício ético da medicina, apenas. O Ministro Costa Manso, do STF, no passado, já tratou desse assunto, não deixando nenhuma dúvida que o CFM não deve se confundir com associações de classe.

      Abs.

      Fernando

  • Fernando, não se trata de comércio, entenda, trata-se de necessidade de uso, com indicações para que perdas de 20% máximo do conteúdo, mas, se atingidas alterem todo um continente.
    Creia não é fácil lidar com essas substâncias, existe todo um aparato mitológico sobre as mesmas – S.N.C ?
    Tenho tais doenças, tomo estes medicamentos, tenho estes exames, não conseguindo, fazendo dieta, com estas substâncias poderei atingir meus objetivos.
    São sustâncias que ora atuam inibindo, ora atuam saciando, a ingestão de alimentos.
    O problema doença obesidade existe, e esta terapêutica menos invasiva.
    São substâncias psicoativas, eis um desafio, mas o terapeuta saberá ligar com a situação, de modo a obter os benefícios com ou sem efeitos colaterais, colaterais que se persistirem, podem interferir na imediata retirada, de forma gradativa, para que o excesso de peso, não sofra alterações significativas a curto prazo.
    Fernando não sei o que dizer sobre a retirada dos anorexígenos anfepramona, femproporex, e mazindol do mercado, e nunca usei sibutramina – o terapeuta o fara quando houver respostas a sua indagação.
    Razões que explicam o efeito dos tratamentos
    1) História natural da doença
    2) A arte do terapeuta
    3) O efeito placebo
    4) Regressão média ( fator intrínseco do método terapêutico )
    Fernando trata-se de um procedimento assegurado constitucionalmente, a qualquer cidadão que decide a ele se socorrer poder obter.
    Já conheço a decisão do poeta, A Anvisa, tudo pode, até interferir no meu ato terapêutico. Creia são 20 anos estudando esta doença, ao seu grande problema, o excesso de peso, como regressão média a ser atingida oferecendo respostas benéficas ao continente.
    Fernando não desejo mais fazer comentários sobre sobre estes medicamentos, sua nocividade quanto ao uso, seus radicais químicos, sítios de atuação, também não desejo revelar minha arte terapeuta, afinal ela é meu oficio.
    Psicanálise não Fernando.
    Embora em campos opostos nos tornamos grandes amigos.
    UM ABRACO
    desta vez você foi rápido demais – Fernando olha a inversão dos últimos comentários ou será que estou questionando seus convencimentos

  • Fernando parece que esta proibição da Anvisa começa a esquentar, vi um site na internet que o assunto referente a esta resolução poderá ser discutido com o Sr. Dirceu, na Camara dos Deputados. As drogas proibidas, nocivas, anfepramona e femproporex, são simpaticomiméticas, reduzem o apetite antes do comer, diminuindo a fome. O mazindol é um derivado tricíclico, reduz o apetite durante o comer, abreviando a satisfação alimentar. A sibutramina liberada mas recentemente, atua nos dos sítios, reduzindo a fome e aumentando a saciedade e é termogênica. Todas elas atuam no sistema nervoso autônomo, ora aumentando a liberação – ora diminuindo a recaptação de noradrenalina e serotonina.
    Lidar com estas drogas acredite é muito difícil e exige muita cautela e observação. Elas atuam no sistema nervoso autônomo, sistema, que independente da vontade. Dizer que não são eficazes é digno de quem nunca as prescreveu, este não é um terapeuta, que sabe introduzir em doses personalizadas, aumentando gradualmente estas doses até o desfecho e retirando-as a medida que este desfecho seja mantido e que somente alimentos e exercícios estabilizem um peso possível.
    Luto por estas drogas, deletérias, por as acho determinantes na luta contra o excesso de peso.

  • Fernando, você publicou, demorou, refletiu e achou por bem publicar. Isto muito me orgulha, a despeito de suas opiniões contrárias as minhas, as quais respeito e tenho admiração, apesar de divergentes.
    Fernando, lembra-se do que eu lhe disse a respeito da Maçonaria, agora você mais do que eu você vai entender o seu poder. Aguarde, os guardiões da Ordem Universal começaram a agir e da qui por diante eles se reunirão e decidirão aquilo que irá acontecer. Não duvides o que vem da CABALA.

    UM ABRAÇO
    Um AMIGO
    Só não consigo fazer seu Abs.

  • Fernando, as vezes ser cidadão é lutar pelos seus ideais pelo seu conhecimento e experiência em prol daqueles que não as possui.
    O brasileiro é um povo muito pacífico, ilude-se muito facilmente, e sempre perde muito com isto.
    No Brasil infelizmente, ou no Mundo quem sabe, o dinheiro fala mais alto do que tudo.
    Em nossa política nem se fala, sempre existem interesses ocultos atrás de decisões que interfiram em algum mercado vultuoso.
    Esta resolução Anvisa, penaliza os bons médicos, penaliza muitos obesos, aproveita-se de conceitos apregoados e alardeados dos desprovidos de conhecimento

    UM ABRAÇO

    Marcelo

    • Prezado Marcelo,

      Não reputo pacífico o povo brasileiro… Sua violência disfarçada dá-lhe aparência de pacifismo, com que engana… Somos um povo ineducado, incivilizado, malandro… Estaciona-se o automóvel na calçada impedindo a passagem do pedestre; ultrapassa-se o sinal vermelho; compra-se recibo para sonegar imposto de renda; dá-se e se recebe caramelo como moeda; nunca se chega ao plantão no horário certo; nunca se atende ao paciente na hora marcada; vivemos de expedientes… Somos Tartufos, Blás, Sanchos Panças ufanistas; achamo-nos donos do Cruzeiro do Sul, de bosques mais floridos, de céus mais estrelejados, de vidas mais amorosas… Só na nossa conversão ufanista. É o meu parecer.
      Quanto à política ela é igual em todas as partes, porque se oriente pela ética da finalidade é não pela ética do princípio. É ingenuidade pensar a política de outra forma: orientando-se pela ética do princípio. E é bom que nos lembremos, sempre, que os políticos saem do povo… Não há vereador, deputado, senador, governador, presidente, que não tenha saído do seio do povo. O corolário lógico é que mau povo não pode fornecer bons políticos… Nunca tivemos democracia, e a não podemos ter, porque democracia é regime de povo educado, que não somos. Os alfabetizados, aqui, quando se tronam doutores, não leem. Se leem, interpretam mal e escrevem pior ainda.
      Quantos aos bons médicos, que tratam de obesos, acho que estão em face de um novo paradigma: convencer seus doentes que é possível emagrecer sem a muleta dos anorexígenos, com psicoterapia, com sugestão hipnótica, com boa conversa, que não fazem nenhum mal, como o demonstrou outrora Charcot em sua conferência La foi qui guérit, e mais tarde Anatole France, com critério de esteta e de filósofo em um capítulo magnífico do seu Jardin d´Épicure. Por que não deveriam os homens de ciência repetir em suas clínicas os “milagres” praticados outrora pelos taumaturgos incultos?

      Abraço-o.

      Fernando Guedes

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